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Esquema do Forum Esquema do Forum Esquema do Forum Foto da Maqueta do Forum
Forum

Descrição dos Elementos do Projecto
Arquitectónico »

Entrada
Templetes
Pórticos da Praça
Passeio Descoberto
Praça Central
Monumentos
Esplanada do Templo
Criptopórtico
Pórtico do Templo
Espaço Envolvente
Templo
Ordem Arquitectónica e Decoração
Pavimentos
Pinturas
Culto Imperial

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Mapa das Ruinas de Conimbriga, com o Edifício do Forum selecionado
Fotos alusivas ao Forum. Estes links abrem uma nova janela

Entrada
A entrada do fórum de Conimbriga foi imaginada como um arco quadrifronte anexo à entrada, permitindo o acesso desde a praça a Sul do fórum, dando passagem para os templetes laterais e introduzindo os transeuntes no pórtico da praça frente ao templo. A reconstituição desta entrada é conjectural, devido ao estado de profunda destruição das estruturas, de onde foram retirados todos os elementos de construção. Esta reconstituição é inspirada no arco quadrifronte de Capera, cidade romana da Lusitânia (hoje na espanhola província de Cáceres).

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Templetes
Do lado direito da entrada do fórum existiu um templete, cuja reconstituição é conjectural. Provável é, todavia, que esta pequena construção tenha estado dedicada ao Génio de Conimbriga, pois nesta zona se encontrou a pequena árula de calcário com essa dedicatória. Do lado esquerdo, para além de um pequeno tanque quadrangular, cuja finalidade meramente utilitária ou votiva é desconhecida, outro pequeno templete, de que não existem hipóteses quanto à sua finalidade, eleva-se sobre três degraus.

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Pórticos da Praça
O pórtico que rodeava a praça do fórum por três lados, ainda que de uma dimensão inferior ao templo - como competia a um desenho hierarquizado do conjunto de elementos, em que a sua dimensão traduzia a sua importância - era, todavia, uma parte importante e imponente da construção. Construído na ordem coríntia, as bases áticas e os capitéis foram talhados em calcário, permitindo os elementos sobreviventes avaliar da grande qualidade do trabalho escultórico. As colunas foram talhadas em tufo, conservando-se vestígios de um seu revestimento em estuque, que não se sabe se foi original ou se foi produto de uma fase de reparação das construções forais. Nas paredes do fundo do pórtico o ritmo das colunas repetia-se em pilastras quadradas, que suportavam um tecto de caixotões decorados por rosetas.

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Passeio Descoberto
Entre a praça central e o pórtico estendia-se um passeio descoberto que duplicava o espaço do pórtico, permitindo o que foi sem dúvida uma importante função do fórum, a disponibilização de espaço processional, em ocasião de festividades religiosas, e de espaço de convivência e negócio, em regime diuturno; esta é aliás, a principal função de qualquer fórum.

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Praça Central
A praça central manteve as suas dimensões desde a fase datada do reinado de Augusto, explicando esse facto algumas das questões levantadas a propósito da implantação urbana e do programa arquitectónico do fórum.
Originalmente a praça tinha um simples chão de terra batida, mas a intervenção flaviana revestiu este com um pavimento de lajes de calcário.
Estas lajes respeitaram a existência de várias bases de monumentos honoríficos, vieram posteriormente a ser recortadas e alteradas na sua disposição à medida que outros monumentos foram implantados.
Entre os vários monumentos ressalta aquele de maiores dimensões localizado no centro do extremo sul da praça, alinhado no mesmo eixo da entrada do fórum e do templo: tratou-se provavelmente de um altar dedicado ao culto público, e que se integraria na utilização processional de fórum em algumas ocasiões do ano especialmente festivas.

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Monumentos
Os monumentos honoríficos, de que infelizmente nada sobreviveu, são de dois tipos (considerando as plantas das suas bases): pequenos monumentos rectangulares, verosimilmente bases de estátuas ou de colunas comemorativas; e monumentos de planta em π, que devem ter suportado conjuntos epigráficos mais complexos.
Pelo que conhecemos de outras cidades, aqui se consagravam à posteridade os patronos da cidade, normalmente aqueles indivíduos que, ligados à classe senatorial e muitas vezes habitando em Roma, actuavam como defensores dos interesses municipais; consagravam-se também os principais magistrados que iam concluindo as suas carreiras na administração local e eram ainda dedicados monumentos a indivíduos que se destacavam pelas ofertas feitas à cidade (designadamente ofertas de edifícios, gesto filantrópico que se designava pela palavra grega “evergetismo”) ou pelo papel desempenhado na religião pública.
Conhece-se em Conimbriga um único monumento que terá feito parte de um destes monumentos, sendo uma fracção do que terá sido um conjunto de textos de maior dimensão. Este monumento regista a dedicação (do próprio monumento) à memória de um notável local, de nome Caio Turranio Rufo pela sua mulher, tendo o sogro e um cunhado sido os curadores da execução da dedicatória. Trata-se da promoção das relações familiares, que era essencial ao avanço de qualquer carreira política nas cidades romanas.
Este monumento foi localizado, não no fórum, mas sim reutilizado como laje de cobertura de um cano de esgoto, na rua das termas.

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Esplanada do Templo
A esplanada do templo era um instrumento muito importante na delimitação dos espaços do fórum e nos acesso entre eles, representava também uma forma de elevar visualmente o nível a partir do qual se desenvolvia a estrutura do podium, evitando a demasiada visibilidade que este poderia ter (o que arruinaria o equilíbrio clássico das suas proporções). Mas a esplanada do templo corresponde também a uma das formas variadas através das quais na Lusitânia se desenvolveu uma forma específica de templo romano, cujo acesso não é nunca simples e axial, como na generalidade dos templos clássicos. Nesta região do Império preferiu-se sempre uma forma indirecta de acesso ao templo, fosse através de escadas laterais, transversais ao eixo do edifício ou, neste caso, através de níveis diferenciados, fisicamente separados, da construção.
Por outro lado, a esplanada impede o acesso ao temenos delimitado pelo criptopórtico, que é uma forma suplementar de destacar, isolando-o, o templo do culto imperial.

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Criptopórtico
O criptopórtico é um dos mais importantes restos de todo o programa de construções; era todavia um dos mais discretos quando os edifícios funcionavam em pleno. O arquitecto, para elevar o pórtico enquadrante do templo, contraponto do pórtico da praça, resolveu elevá-lo, torná-lo mais fundo e, para não perturbar a leitura focal do templo, reduzir a escala da sua arquitectura. Para isso criou um criptoporticus (literalmente “pórtico oculto” ), que rodeava por três lados o temenos do templo. Tinha-se acesso a ele por pequenas portas, que diz bem do carácter meramente utilitário da sua existência (serviu talvez de armazém dos produtos distribuídos à população nas liturgias dos magistrados).
O seu sistema de cobertura era particularmente engenhoso, com um tabuado de madeira assente em peças talhadas em tufo, por sua vez encastradas nas alvenarias que formavam a base da construção. A nível superior, este tabuado (para o qual se seguiram talvez as complexas indicações de Vitrúvio), suportava um pórtico duplo de igual planta. Muitos dos vestígios visíveis neste criptopórtico actualmente correspondem à sua tardia transformação em cisterna.

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Pórtico do Templo
O pórtico duplo que assentava sobre o criptopórtico era constituído por colunas de tijolo, estucadas, que criavam um ambulatório onde, a julgar pelos achados em escavação, se concentrava grande parte do aparato cénico e religioso do fórum, fragmentos de inscrições, de estatuária, objectos rituais, provêm da escavação do criptopórtico (para onde a deterioração das estruturas os arrastou) em quantidade sem paralelo na restante área escavada.
Era também notável o aparato decorativo desta zona, favorecido pela pintura exterior das paredes do criptopórtico, mas que aqui se multiplicava na cancela de pedra lavrada, na pintura das colunas e das paredes (de que sobreviveram escassíssimos fragmentos que não permitem restituição) e no pavimento de opus sectile em mármore branco e ardósia.

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Espaço Envolvente
Entre o templo e as paredes do criptopórtico ficava um espaço de acesso vedado que aparentemente era coberto por um simples chão de terra batida, que se destinava a formar um espaço livre que concedesse ao templo, para além de um enquadramento visual que potenciasse o efeito dos pórticos circundantes, uma área de isolamento que obrigasse a focar na esplanada a circulação e atenção de quem frequentava o fórum. Um dos efeitos mais interessantes da construção deste espaço, que era talvez inapercebido pelos contemporâneos das construções, foi o facto de neste espaço se terem conservado soterrados, vindo a ser descobertos pelas escavações, os restos do povoado indígena que rodeava o primeiro fórum e alguns fragmentos deste último. Tratam-se de pequenas casas de pátio central, construídas em adobe sobre uma base de duas fiadas de pedra de tufo, que nos mostram o aspecto das habitações pré-romanas, permitindo-nos compreender o impacto que a introdução da edilícia romana no oppidum deve ter tido, quer nas construções públicas, quer nas privadas.

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Templo
O templo é, infelizmente, um dos elementos pior conhecidos do fórum, isto acontece porque, sendo aquele que se situava a uma cota mais elevada, foi aquele que mais sofreu com a erosão da zona. Não conhecemos nada dos seus muros, todas as estruturas estando conservadas abaixo do nível original dos pavimentos. Sobreviveram alguns elementos arquitectónicos, mas em quantidade insuficiente para a sua reconstituição completa. Faz-se todavia recurso à comparação, sabendo-se que, até por razões religiosas, a arquitectura religiosa romana era profundamente conservadora, sendo invariáveis alguns dos seus elementos.
O templo era pseudo-perípetro, com as paredes da cela decoradas por meias colunas adossadas, tendo tido provavelmente quatro colunas na fachada.
Acedia-se a esta fachada por uma escada ladeada por dois grandes blocos de construção, de planta quadrangular, que substituíram as usuais antas. Estes maciços suportaram talvez esculturas.
Nada sabemos do seu interior, ainda que seja uma hipótese admissível que aí estiveram as mais importantes peças de escultura imperial conhecidas na cidade, que para aí teriam sido deslocadas do fórum mais antigo, para o qual terão sido encomendadas. O arranjo interior do templo é conjectural.

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Ordem Arquitectónica e Decoração
Todo o fórum adoptou a ordem coríntia para a sua decoração, ainda que fosse muito variada a gama de escalas e técnicas utilizadas na construção.

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Pavimentos
Sendo todo o fórum uma zona de intensa circulação, o pavimento maioritariamente escolhido foi um simples lajeado de calcário, utilizando lajes rectangulares. Reservaram-se para o templo os mármores de maior qualidade, designadamente aqueles importados inclusivamente de zonas extra-peninsulares, como o “verde antigo” que os romanos extraiam das pedreiras da Tessália (Grécia).
No pórtico do templo utilizou-se aquela que era a técnica pavimental mais apreciada pelos romanos - o opus sectile. Os elementos recolhidos deixam adivinhar uma composição estrelada em branco, rodeada por elementos formando um quadrado negro, que alternaria com outros quadrados de fundo branco. A quantidade recolhida em escavação é, todavia, apenas ínfima parte da extensão total que terá existido.

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Pinturas
Pouco sobreviveu das pinturas do fórum, pois os anos de abandono que deve inevitavelmente ter atravessado com o advento do cristianismo, devem ter sido especialmente severos neste elemento decorativo, que é dos mais frágeis. Conhecemos apenas o esquema pictórico que ornou as paredes exteriores do criptopórtico, que era composto por grandes painéis amarelos, divididos por faixas verde-água realçadas por filetes brancos. Estes painéis assentavam sobre um soco azul muito escuro.
A sobrevivência desta pinturas deve-se ao facto de terem sido sobre-rebocadas na fase de remodelação do fórum já referida.

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Culto Imperial
O fórum foi o polo central do culto imperial na cidade. Este culto era, por sua vez, o elemento essencial de agregação política e ideológica das cidades com Roma.
Uma das formas mais efectivas de promoção do culto imperial era a sua associação a cultos estabelecidos, mediante a invocação de outros deuses com o epíteto de Augusto: conhecem-se assim em Conimbriga dedicatórias a Apolo, Augusto e a Marte Augusto; mas o mesmo epíteto se podia aplicar a divindades indígenas de natureza desconhecida como os Remetes.
O culto imperial, todavia, não dispensava a devoção directa ao Imperador, aos seus ancestrais divinizados e aos outros elementos da sua família.
A primeira imagem imperial existente em Conimbriga terá sido uma figura togada de Caio, chamado Calígula, que reinou entre 37 e 41, morrendo vítima de uma conspiração, tendo-se procedido à chamada “damnatio memoriae”, o que terá acarretado que a estátua teve de ser retrabalhada no sentido de a fisionomia do imperador louco ser substituída pela do seu respeitabilíssimo avô Augusto.
A estátua muito fragmentada que representa um imperador em pose divinizada, foi provavelmente um Cláudio, que pode ter chegado à cidade no final do reinado deste imperador ou no início do seu sucessor Nero, talvez contemporaneamente ao retrato de Agripina a Jovem (a última mulher do primeiro e a mãe do segundo), ou seja, entre 49 e 59 da nossa era.

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