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Termas da Muralha

Escavação:
Direcção Geral dos Monumentos
Nacionais entre 1940 e 1944 (Dir.
Prof. V. Correia). Outras intervenções
sob a direcção do Prof. Jorge Alarcão
em 1963.

Documentação disponível:
Planta de trabalho de 1967 (toda a
zona B), à escala 1/200 (aut. Roque
Martins). Complementos e anotações,
sem data, de J. Alarcão

Caracterização sumária:
Edifício termal de restituição complexa.

Bibliografia da escavação:
Não foram publicados relatórios dos
trabalhos.




Mapa das Ruinas de Conimbriga, com as Termas da Muralha selecionada
Fotos alusivas às termas da Muralha. Estes links abrem uma nova janela Planta das Termas da Muralha Foto das Termas da Muralha Foto das Termas da Muralha Foto das Termas da Muralha

A construção das termas da muralha insere-se provavelmente num momento em que a cidade adquire o seu estatuto municipal, por volta de 77 d.C., transformando-se em Flavia Conimbriga. Este processo é de vital importância para as transformações da malha urbana da cidade, o seu novo estatuto quebra o equilíbrio anterior entre o núcleo indígena e o romano.

As termas da muralha sofreram ao longo da sua existência um percurso complexo. Com uma implantação urbana marginal (mas localizadas talvez junto ao fórum municipal) zona marcadamente ocupada por uma classe abastada, foi-lhes conferida uma certa imponência e houve preocupação artística na ordenação e decoração interna dos espaços.

O edifício, limitado a Oeste por uma via em cujo lado oposto se situa a Casa de Cantaber e a Norte por uma outra pela qual desemboca uma série de estabelecimentos comerciais (couponae ?) adossados à Casa dos esqueletos, apresenta um esquema sequencial axial do tipo I de Kreencker e ocupa uma área de 25 m por 20 m, ou seja, 500 m2. Além disso, segue um programa construtivo semelhante ao do fórum flaviano pois algumas placas de mármore que se conservam in situ correspondem ao mesmo tipo das que foram utilizadas no fórum.

Espacialmente, as termas da muralha distribuem-se em dois sectores, que interpretamos como uma zona masculina e uma zona feminina.

Inicialmente deveria existir uma zona de acesso aberta à via da Casa de Cantaber. Talvez se tratasse de um ambiente rectangular que juntasse as funções de entrada e apoditério. Este ambiente, destruído pela muralha, comunicava com o frigidário e talvez com a área externa ocupada pela natatio. Este frigidário tem uma planta rectangular e seria revestido com placas de mármore, das quais restam fragmentos junto às paredes Oeste e Norte. Uma escada a Norte, de três degraus, comunicava com um segundo espaço, também este não aquecido directamente. Salienta-se que a Este se conservam as marcas da implantação de uma soleira de uma porta que, possivelmente, permitia o acesso à zona aquecida das termas masculinas. Por fim esta sala, que nós interpretamos como frigidário, seria o espaço que divide os acessos às termas femininas e masculinas. As primeiras são enriquecidas com um outro ambiente não aquecido, ou talvez aquecido indirectamente pelas condutas do laconicum, e podemos atribuir-lhe a função de um frigidário aquecido pois não tem estruturas que justifiquem a sua função de tepidário. Este ambiente dará acesso ao caldário feminino. O acesso não é muito claro, encontrando-se possivelmente oculto pela muralha. O caldário é aquecido por uma fornalha que, pela sua estrutura, teria a dupla função de aquecer o ar e sustentar uma caldeira de água utilizada num alveus do caldário, actualmente destruído. A este praefurnium tinha-se acesso por um estreito corredor que forma, junto à fornalha, um pequeno espaço de planta quadrangular. O acesso seria feito pelo exterior das termas, o que é bastante compreensível. Contudo, não temos dados suficientes sobre o limite Norte das termas. O caldário feminino era constituído por uma suspensura sustentada por arcos feitos em tijolo (bipedalis) sobre a qual assentava um nível de imbrices com a cobertura virada para baixo permitindo uma melhor circulação do ar junto do pavimento de circulação. Por cima deste nível de imbrices existe um espesso estrato de opus signinum, bastante grosseiro mas muito mais resistente, sobre o qual se aplica um segundo estrato mais fino e polido. Não temos certezas quanto à cobertura do pavimento do caldário feminino, isto é, não sabemos se este estrato de opus signinum era o aspecto final ou se era ainda recoberto com mosaico ou com placas de mármore. Desconhecemos também se este sector feminino tinha acesso separado do sector masculino. Se assim for devemos teorizar a existência de uma segunda entrada destruída pela muralha. Porém os espaços abertos tais como a natatio e uma pequena palestra, e o laconicum, deveriam ser comuns a ambos os sexos.

A zona masculina das termas desenvolve-se sequencialmente com um frigidário, espaço de acesso à zona feminina e masculina; um tepidário, com a zona Oeste escavada no afloramento e suspensura sustentadas por pequenos pilares em tijolo onde assentavam os arcos; e finalmente um caldário de planta quadrangular. A divisão entre estes dois espaços aquecidos nota-se no pavimento inferior da suspensura, com um bloco de pedra onde se apoiava um arco em tijolo que estrangulava a passagem inferior do ar quente. Este caldário masculino era aquecido por duas fornalhas colocadas a Este com muros de suporte no interior da suspensura, permitindo uma melhor canalização do ar quente. Uma terceira fornalha foi construída a Sul, com um sistema de suporte de caldeira, semelhante à existente nas termas femininas, o que proporcionaria água quente a um alveus situado na parte Este do caldário. Deste elemento restam alguns traços.

Um outro espaço das termas das muralhas é o laconicum, para o qual se acedia por uma entrada situada no tepidário masculino. Este ambiente circular, aquecido por uma fornalha independente com planta em L, apresenta três degraus, todos eles revestidos com placas de calcário branco. O aquecimento era feito pela circulação de ar quente na zona envolvente `a estrutura central. Pomos a hipótese deste ambiente ter abastecimento de água. Existe uma canalização a ele associada, como também um escoamento lateral do fundo do laconicum, talvez de limpeza. Por outro lado são visíveis na parede Oeste as marcas de dois nichos, onde poderia ter estado instalado algum jogo de água e decoração estatuária.

Outra zona essencial nas termas públicas são as áreas abertas. Nas termas da muralha detectamos um amplo espaço situado a Sul da estrutura, possivelmente porticado, associado com a natatio, pelo menos na sua face Oeste, onde são ainda visíveis a moldura externa da parede que define o limite da área da natatio.

A área de serviço das termas situa-se toda ela na zona Este do complexo. Detecta-se uma divisão a Este, com um pequeno tanque que teria acesso pela zona Este e Norte das termas, correspondendo à via da Casa dos Esqueletos.

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